A Umbanda vivencia o Evangelho de Jesus em sua essência através da manifestação do amor e da caridade prestada pela orientação dos Guias, Mentores e Protetores que recebem a irradiação dos Orixás. Encontramos no terreiro da verdadeira Umbanda entidades que trabalham com humildade, de forma serena, caritativa e gratuita; espíritos bondosos que não fazem distinção de raça, cor ou religião, e acolhem todos que buscam amparo e auxílio espiritual, conforto para dores, aflições e desequilíbrios das mais variadas ordens.

Seguidores do Blog Espiritualidade e Umbanda

Mostrando postagens com marcador Exu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Exu. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de julho de 2013

Linha de Ação e Trabalho dos Exus e Pomba Giras na Umbanda



Linha de Ação e Trabalho dos Exus
Os Exus, enquanto Linha de Esquerda na Umbanda, incorporam em seus médiuns e dão consultas gratuitas, aconselhando, orientando, defendendo, ajudando a superar suas dificuldades materiais ou espirituais, familiares, profissionais etc., mas, sempre a partir de sua visão cósmica das situações, de seu senso e de seu entendimento pessoal de como deve proceder para atender a quem o solicitou. Os Exus que incorporam estão aprendendo a usar os instrumentos colocados à sua disposição e vão se aperfeiçoando e acelerando sua evolução. Eles tomam a defesa de seus médiuns quando algo ou alguém os está prejudicando.

No  aspecto  geral,  Exu  rege  sobre  a  vitalidade  dos seres e, no particular, sobre o vigor sexual. Ele é portador de um poderoso mistério, ligado à sexualidade masculina.  Mas, se Exu transpira vigor por todos os seus sentidos, não vibra o fator estímulo, iniciativa, expressando apenas os desejos alheios, seja de seus médiuns, seja dos que o evocam ou oferendam. Por não vibrar esse fator, não toma iniciativas próprias e polariza com pombogira, que emana o fator desejo, o qual, se juntando com o fator vitalidade, estimula os seres a tomar suas próprias iniciativas. Exu e Pombogira são indispensáveis um para o outro.

Exu é o mais humano dos mistérios de Umbanda, porque reflete em si a natureza emotiva do seu médium, no qual ele se manifesta e incorpora.

Embora aparentemente seja punidor, na verdade ele atua como agente esgotador de negativismos ou criador de estímulos que ativam o emocional humano, induzindo o ser a mover-se em busca do "alto". É regido pelo mistério "Trono Neutro", e responde segundo é invocado. Através do seu fator vitalizador, ele tanto vitaliza como desvitaliza os mistérios dos orixás: amor, conhecimento, religiosidade, geração, equilíbrio, ordem e evolução.


Linha de Ação e Trabalho das Pombojiras (Pombas Giras)
O mistério Pombojira é regido por uma divindade cósmica feminina que tanto gera quanto irradia o desejo, atuando como elemento mágico e agente cármico, nos limites estabelecidos pela Lei Maior, à disposição dos Orixás. Como elemento religioso, ela atua como esgotadora de carmas individuais e como ativadora ou estimuladora das pessoas. Como elemento mágico, só é ativada ou desativada se devidamente paga, com oferendas rituais simbólicas. Enquanto Linha de Esquerda na Umbanda, incorpora em suas médiuns e dá consultas gratuitas, aconselhando, orientando, defendendo, ajudando a superar as dificuldades materiais ou espirituais, familiares, profissionais etc., mas, sempre a partir de sua visão cósmica das situações, de seu senso e de seu entendimento pessoal de como deve proceder para atender a quem a solicitou. Elas tomam a defesa de seus médiuns quando algo ou alguém os está prejudicando.

Ela é portadora de um poderoso mistério, ligado à sexualidade feminina. Mas, se Pombojira transpira desejo por todos os seus sentidos, não vibra o fator vitalidade, vigor, e os desejos não se concretizam. Por não vibrar esse fator,  polariza com Exu, que emana o fator vitalidade, o qual, se juntando com o fator desejo, cria as condições para que as coisas aconteçam. Exu e Pombojira são indispensáveis um para o outro. As Pombojiras atuam como agentes esgotadores de negativismos ou criadores de vontades que atuam no emocional humano, induzindo o ser a mover-se em busca do "alto". São regidas pelo mistério "Trono Neutro", e responde segundo é invocado. Através do seu fator vontade, elas tanto estimulam como desestimulam  os mistérios dos orixás: amor, conhecimento, religiosidade, geração, equilíbrio, ordem e evolução.


Por Escrito por Mãe Lurdes de Campos Vieira   

domingo, 30 de junho de 2013

Médium e Exu


Muitas vezes, ele funciona como um espelho, refletindo em seu comportamento os defeitos e qualidades de seu médium.

Não estamos falando aqui de mistificação nem animismo e sim de um comportamento em que pela convivência um exterioriza qualidades e defeitos do outro.

Apesar de Exu ter opinião própria e manifesta em linguagem simples e direta de forma que todos entendam. É ele a entidade mais próxima a nossa realidade e anseios materiais.

Quando o médium começa a se desenvolver costuma ouvir que há a necessidade de doutrinar seu Exu.

É natural que o médium não tenha doutrina no inicio de sua jornada espiritual e Exu exterioriza isso em seu comportamento, após boa doutrinação da entidade veremos a necessidade de doutrina também para o médium que acaba de chegar na casa.

Durante o desenvolvimento mediúnico é ainda natural que o Exu se apresente pedindo sua oferenda, pois sua força é potencializadora e vitalizadora da mediunidade.

Este mesmo médium que está iniciando na Umbanda encontra todo um universo novo aos seus olhos e Exu costuma ser algo intrigante e fascinante ao mesmo tempo; quando não uma entidade,força, que assusta um pouco os que não o conhecem.

A questão é: Enquanto o médium estiver preocupado com a doutrina de “seu” Exu estará também doutrinando-se, subconscientemente!

Devemos, sim, estar atentos quando nos deparamos com entidades de esquerda sem doutrina, muitas vezes estão chamando nossa atenção a seu médium para que tomemos uma atitude doutrinária em relação a ambos.

Tudo isso é bem diferente de um obsessor ou quiumba, trazido por transporte, que normalmente tem comportamento rude e agressivo. Falamos aqui do Exu de lei que acompanha o médium como entidade de trabalho na esquerda.

Não devemos subestimar Exu, achando que é entidade sem luz desprovida de evolução,observando apenas um aspecto externo e superficial, pois quando vamos com a farinha ele já voltou com a farofa, devemos sim ficar atentos com o que nos dizem nas entrelinhas ou o que querem nos passar, quando não podem ou não se sentem a vontade para revelar.

Quanto ao que pode revelar, pergunte a ele sobre seu médium e o comportamento do mesmo e verá que Exu é o primeiro a apontar os defeitos de seu “cavalo” e isto está ainda dentro da qualidade especular de Exu.

No desenvolvimento mediúnico é ele um elemento de muita importância, pois dá força e potencializa as faculdades mediúnicas, não é difícil encontrarmos Exu pedindo para ser oferendado logo no inicio da vida mediúnica.

Em uma casa de luz, em um terreiro de Umbanda de fato, Exu não aceitará trabalhos de ordem negativa a favor de futilidades ou egoísmos. Veremos Exu trabalhando com seriedade e em sintonia com as entidades da direita, ou seja não virá em terra para contrariar todo um trabalho de doutrina realizado por caboclos e pretos velhos. Encontraremos até Exus dando consultas, limpando e descarregando consulentes, fazendo desobsessão e outras coisas mais dentro do mesmo objetivo e até dando bons conselhos aos que a ele procuram.

Por tudo isso somos gratos a Exu e Pomba Gira por trabalharem conosco a favor da luz, e afirmamos muito do que se fala de Exu e Pomba-Gira ligado a magia negativa, nós desconhecemos, sabemos que muitos tentam se passar por Exu, mas aí já não é mais Umbanda.

Umbanda acima de tudo é Amor e Caridade, Exu não deve vir em terra para dar o contra no trabalho de direita.


Texto Extraído do JUS - Jornal de Umbanda Sagrada

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Dia 13 de Junho - Dia de Exu na Umbanda - Dia de Santo Antõnio




“Fala em línguas quem está repleto do Espírito Santo. As diversas línguas são o testemunho que devemos dar o favor de Cristo, a saber, humildade, pobreza, paciência e obediência. Quando os outros virem em nós estas virtudes, estaremos nós falando a eles. Nossa linguagem é penetrante quando é nosso agir que fala. Eu vos conjuro, pois, deixai vossa boca emudecer-se e vossas ações fala! Nossa vida está tão cheia de belas palavras e tão vazia de boas obras”.
(Santo Antõnio)


Santo Antônio de Pádua, ou Santo Antônio de Lisboa, porque nasceu na cidade de Lisboa, em Portugal, e desencarnou, em Pádua, na Itália.

Santo que seguiu os passos do Mestre Jesus e exemplificou suas palavras de forma humilde e fiel. Discípulo de São Francisco de Assis, abdicou da sua herança e viveu para defender os pobres e deserdados, pregador incansável do Evangelho. Amante da natureza e da solidão. Pode-se observar seus diálogos com a natureza e os animais em seu “Sermão de Santo Antônio aos Peixes”.

Procurava meditar e orar em lugares afastados, onde não houvesse o barulho das cidades. E, em uma dessas meditações, recebeu a visita do Menino Jesus. Por tal fato, sua imagem o representa com Jesus criança em seus braços. A imagem ainda apresenta lírios brancos, que representam a nobreza e a virtude desse valoroso servidor da Palavra Divina enquanto andou por essa Terra.

Com relação à devoção a Santo Antônio, encontramos no Brasil a tradição de, no dia 13 de junho, distribuir pão, que deve ser guardado nas residências, a fim de assegurar o alimento a todos que nela residem; a devoção mensal no dia 13, a “trezena”; pedidos para encontrar objetos perdidos, da mesma forma que São Longuinho; e as promessas feitas para se conseguir casamentos, além da comemoração das festas juninas, onde se utilizam muitas cantigas que louvam seu nome.

Falando um pouco sobre sua vida, nasceu em Lisboa, no ano de 1192, sendo batizado com o nome de Fernando. Ingressou no mosteiro de São Vicente de Fora dos Agostinianos aos 15 anos de idade, e pelo exemplo dos franciscanos, decidiu trocar seu nome para Antônio, sendo aceito na Ordem Franciscana, no ano de 1208, quando renunciou à herança paterna e seus títulos nobiliários, e recolheu-se no mosteiro de São Vicente, localizado nos arredores da cidade de Lisboa.

Em 1219, ordenou-se sacerdote, permanecendo no eremitério de Montepaulo, na comarca da Romagna, quando teve início a passagem mais significativa de Santo Antônio como pregador da palavra do Evangelho.

Em 1230, com a saúde debilitada, frei Antônio retirou-se para uma localidade perto de Pádua, já com a saúde debilitada pelo exercício constante do apostolado de Jesus, com constantes jejuns e penitências, quando se recolheu El Camposampiero, no convento eremitério de Arcela, perto do castelo de um amigo seu. Em 1231, pregou em Pádua a famosa Quaresma, que é considerada por muitos como o momento de refundação da cidade, com multidões sendo convertidas e realizando prodígios.

Em 13 de junho de 1231, Frei Antônio com a idade de 39 anos, desencarnou. Teve seu corpo sepultado na igreja do convento dos frades menores de Santa Maria de Pádua.

Em maio de 1232, um ano após sua morte, o Papa Gregório IX inscreveu o nome de Antônio no catálogo dos Santos.Em 1946, Pio XIII declarou Santo Antônio Doutor da Igreja, com o Título de “Doutor Evangélico”.


Um Pouco mais de Santo Antônio:

Quando não era ouvido pelas pessoas, dirigia-se às aves e aos peixes.

Passava muitos dias em meditação e oração em lugares afastados, longe do barulho e da agitação das cidades.

Enquanto rezava em um desses eremitérios, recebeu a visita do Menino Jesus. Em razão dessa aparição, Santo Antônio é representado carregando o Menino Jesus nos braços.

O lírio que aparece nos braços ou nos pés, é o símbolo da pureza. A sua mensagem de fé e de amor para com Deus e a sua caridade para com os pobres continuam atuais.

Sal da terra e luz do mundo, Santo Antônio é tão procurado pelas pessoas que se tornou um dos santos mais populares do mundo.

Em sua companhia, procuremos reencontrar o verdadeiro sentido da nossa vida, a fé em Deus, o amor para com os mais pobres e uma esperança inabalável na Divina Providência.

Conhecido, carinhosamente, como Antoninho, Santo Antônio tem fama de casamenteiro. Dizem que as simpatias evocadas em seu nome dão certo.

Santo Antônio sempre foi circundado por uma aura sobrenatural – mesmo em vida já era considerado santo pelos milagres realizados através de suas orações e pedidos em que Deus se manifestou:

– Santo Antônio teve uma infância sem muitas emoções, mas uma passagem foi interessante.

Conta-se que seu pai, Martinho, gostava de ir a uma fazenda que possuía nos arredores de Lisboa. Um dia, levou o filho com ele. Que magnífica colheita aquele ano! Pena, porém, que insaciáveis bandos de pássaros descessem continuamente para bicar os grãos de trigo. Era necessário espantá-los para impedir grave dano à colheita. Martinho tinha de providenciar um guardião. Enquanto procurava um, encarregou o garoto de manter longe os pequenos ladrões. O pai se foi e Fernando permaneceu correndo de cá para lá no campo. Em pouco tempo começou a se aborrecer com aquela ocupação. Não muito longe, uma capelinha rústica o convidava à oração. Mas o pai o mandava enxotar os passarinhos: não podia desobedecer. Depois de um átimo de incerteza, gritou aos pássaros, convidando-os a segui-lo para dentro de uma sala da fazenda. Aqueles, obedientes, nela entraram chilreando. Quando todos estavam dentro, Fernando fechou as janelas e as portas, e foi tranqüilamente fazer sua visita ao Senhor. Já entardecia quando o pai, retornando, veio procurá-lo. Andou pelo campo, chamando-o cá e lá, mas não encontrou ninguém. Preocupado, dirigiu-se à capela e o descobriu, todo absorto na prece. Fernando se assustou um tanto, mas tomou o pai pelas mãos e o conduziu ao salão repleto dos vôos e dos cantos dos graciosos prisioneiros. Abriu a porta e, a um sinal seu, os pássaros, em bando, retornaram os livres caminhos do espaço.


Frases de Santo Antônio

"Deus é Pai de todas as coisas. Suas criaturas são irmãos e irmãs."

"É viva a Palavra quando são as obras que falam."

"Quando te sorriem prosperidade mundana e prazeres, não te deixes encantar; não te apegues a eles; brandamente entram em nós, mas quando os temos dentro de nós, nos mordem como serpentes."

"Uma água turva e agitada não espelha a face de quem sobre ela se debruça. Se queres que a face de Cristo, que te protege, se espelhe em ti, sai do tumulto das coisas exteriores, seja tranqüila a tua alma."

"A paciência é o baluarte da alma, ela a fortifica e defende de toda perturbação."

"Ó meu Senhor Jesus, eu estou pronto a seguir-te mesmo no cárcere, mesmo até a morte, a imolar a minha vida por teu amor, porque sacrificaste a tua vida por nós."

"Como os raios se desprendem das nuvens, assim também dos santos pregadores emanam obras maravilhosas. Disparam os raios, enquanto cintilam os milagres dos pregadores; retornam os raios, quando os pregadores não atribuem a si mesmos as grandes obras que fazem, mas à graça de Deus."

"Neste lugar tenebroso, os santos brilham como as estrelas do firmamento. E como os calçados nos defendem os pés, assim os exemplos dos santos defendem as nossas almas tornando-nos capazes de esmagar as sugestões do demônio e as seduções do mundo."

"Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa".

Na Umbanda, Santo Antônio é considerado Santo de Exu.

É também conhecido como Santo Antônio de Pemba.

Esse fato remonta à época da escravidão quando os escravos deveriam orar e professar a crença nas capelas erigidas nas fazendas dos donos de engenho e, para preservarem seu culto ancestral aos orixás, adotaram os santos para com eles sincretizarem, em virtude de suas semelhanças.

Quando os escravos adotaram Santo Antônio de Lisboa por Santo Antônio de Pemba como Exu, fizeram-no por diversos motivos. O primeiro porque tinham que acompanhar o credo católico; o segundo para ludibriar a boa fé dos senhores das fazendas, pois proibiam que os mesmos professassem o seu culto africano; e o terceiro porque faziam suas festas com fogo, como fogueiras, etc., e o dono do fogo é Exu.

Santo Antônio sempre foi considerado como mensageiro do Evangelho de Jesus, e segundo a tradição que persiste no tempo, nos guia os passos no bom caminho. Por isso, atua também com Exu, agente, guardião e senhor do destino e dos caminhos dos indivíduos.

Santo Antônio é Santo de Lisboa, de Batalha, de Pemba, é Santo trabalhador, conforme se observa nos pontos cantados na Umbanda, onde se louva seu nome.


“Santo Antônio de Lisboa, olha pro mundo como está.
Quem antes me abraçava e me beijava, agora quer me apunhalar.
Oh, saravá seu cordão preto, minha Santo Antônio que eu sou filho seu
Oh, livrai-me dos inimigos, minha Santo Antônio, pelo amor de Deus...”


“Santo Antônio de Pemba, segura seus filhos, segura o Congá
Eu sou filho de Pemba, eu não posso cair, eu não posso tombar.
Ah, como caminhou, pemba,
Ah, como caminhou, pemba.
Santo Antônio de Pemba, como caminhou...”



Autor: Lara Lannes
Equipe Genuína Umbanda
www.genuinaumbanda.com.br

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Obrigado, Amigo Exu!




Marcone era homem de meia-idade e de grande cultura geral, produto de uma educação esmerada em colégios de qualidade inequívoca, sob o alicerce fraternal de sua família. Além de engenheiro, dedicava-se a estudar a doutrina espírita kardecista com empenho sem-igual, a fim de estar sempre preparado a orientar os freqüentadores de um centro espírita, no qual exercia o cargo de presidente e principal palestrante.

Lapidado em conceitos ortodoxos que, ao invés de abrir-lhe os horizontes da Espiritualidade, mais o faziam mergulhar em um dogmatismo desenfreado, Marcone, durante as palestras que ministrava, quando indagado sobre questões pertinentes à Umbanda, utilizava-se quase sempre de expressões depreciativas, asseverando que tal religião era constituída de espíritos e práticas atrasados, e que pouco ou nada contribuíam para auxiliar os doentes do corpo e do espírito.

Sua vida transcorria normal, com a habitualidade de sempre, alternando-se entre o trabalho, o convívio social e as reuniões espíritas.

Certa ocasião, Carlos, seu filho de 10 anos, foi acometido de estado febril, acompanhado de pequenas convulsões. Preocupado, buscou auxílio médico, sem, no entanto, lograr êxito. Análises laboratoriais não apontavam qualquer tipo de infecção, bem como nada havia sido detectado nos exames cardiológicos e neurológicos.

Não deixando a medicina de lado, Marcone, como dirigente que era, passou a levar seu filho às sessões espíritas, na expectativa de que os amigos espirituais ajudassem na cura do bom filho.

Em determinada sessão, durante a leitura de nomes para irradiação, em cuja relação incluía-se o de seu filho, presente ali e muito debilitado, Marcone foi surpreendido pela incorporação de um espírito em um médium integrante da mesa. Como na casa espírita que dirigia não havia incorporações, mas tão somente mensagens psicografadas e inspirações espirituais, o engenheiro prontamente se aproximou do médium manifestado, reprimindo-o energicamente por alterar a linha de trabalho do centro.

No momento em que Marcone admoestava o médium em transe, o espírito que a este se acoplara, apresentou-se, dando boa noite aos presentes. Disse que fora enviado àquele recinto para solucionar problema de ordem espiritual delicado que afligia certa pessoa da assistência, direcionando seu olhar para o menino Carlos. O dirigente, observando o comportamento diferente daquela individualidade espiritual, num misto de insegurança e arrogância, inquiriu o espírito sobre sua procedência e nome. O amigo espiritual, fitando fixamente Marcone, disse-lhe que realizava trabalhos em outra corrente religiosa, declinando seu nome, que aqui trataremos apenas como Exu "A".

Ante a identificação, o pai de Carlos, tomado de profundo preconceito, ordenou àquele espírito que reputava como sem-luz, que se retirasse e procurasse a evolução que Marcone supunha que ele, o espírito, necessitasse. Ante os apelos contundentes, o espírito aceitou retirar-se, dizendo, antes de partir, que o enfermo a curar carecia de cuidados urgentes, sob pena do quadro tornar-se irreversível.

Após a partida do espírito Exu "A", o diretor Marcone criticou severamente o médium que tinha dado campo de atuação àquele espírito, exigindo maior atenção dali em diante.

Os dias passam e, apesar dos passes e água fluidificada ministrados em Carlos, o garoto jazia num permanente estado febril e periódicas convulsões, acrescido agora de ostensiva anemia, deixando-o num estado mental depressivo. Marcone já não sabia a quem recorrer, pois experimentara até a desobsessão, sem resultado algum.

Desesperado com a patologia de Carlos, Marcone, numa atitude desesperada de pai, resolveu buscar auxílio no primeiro lugar que encontrasse, fosse o que fosse. Saiu a perambular pela rua, entrando em quase todas as vias de seu bairro. Nada. Alcançou os limites de outro bairro. Nada.

Já desanimado e sem ter com quem contar, Marcone tomou o caminho do lar. Entrando em pequena viela que lhe facilitaria encurtar a distância, ao passar por uma pequena casa, ainda com tijolos à mostra, o pai aflito identificou o som que parecia ser de tambores. Sob a inspiração de seus guias, perguntou a um senhor de cabelos e vestimenta brancos que ali estava, o que funcionava naquele local. Foi informado, então, que se tratava de um Templo de Umbanda.

O engenheiro Marcone, constrangido, explicou à pessoa parada no portão que tinha, na família, pessoa que passava por sérios problemas de saúde, necessitando atendimento. Respondeu-lhe o humilde senhor que ele, Marcone, poderia trazer o doente, se quisesse, ainda naquele dia, pois a sessão estava em seu início.

Marcone pôs-se em fuga alucinada para a sua residência. Enrolou o filho em um lençol e, em companhia de sua esposa, rumou de carro para aquele endereço.

Retornando à Casa Umbandista, foi levado, juntamente com Carlos e Leila, sua mulher, ao salão de trabalhos espirituais.

Incomodado com o barulho dos instrumentos de percussão, porém esperançoso na cura de seu filho, Marcone orou incessantemente, pedindo auxílio diante da situação. Comandava as atividades o Caboclo que aqui chamaremos apenas de "Z". A certa altura da gira, esta entidade aproximou-se do casal e disse-lhes que iria atendê-los após o encerramento dos trabalhos que se realizavam, momento em que direcionou um olhar de amor para Carlos.

Duas horas se passaram até que a Entidade-Chefe desse por terminado o trabalho, solicitando a seu cambone que esvaziasse o terreiro. Estando agora somente o Caboclo "Z", seu cambone, Marcone e sua família, o espírito solicitou ao engenheiro que levasse Carlos para as dependências externas da Casa e o deitasse num pequeno espaço de terra batida existente. Advertido pelo Caboclo "Z" de que o êxito dos trabalhos a realizar dependeria também de sua fé e amor, Marcone, inquieto, via-se diante de situação que a doutrina de Kardec jamais o elucidara. O Caboclo "Z" disse-lhe ainda que o trabalho de cura ficaria a cargo de um outro amigo espiritual, devido o problema presente estar diretamente ligado à sua área de atuação.

Marcone, pensativo, limitava-se a ouvir aquela entidade simplória, porém iluminada, dizendo-lhe esta que se afastaria do médium, mas estaria presente,auxiliando no que fosse necessário. Ato contínuo, o médium do Caboclo-Chefe foi tomado por uma outra entidade espiritual, que passou a cumprimentar os presentes. Marcone, sob forte vibração, notou que conhecia aquele olhar fixo. O tom de voz (psicofonia) não lhe era estranho. Não ousou questionar o espírito, que, de forma vigorosa, dava instruções ao cambone sobre como proceder.

Após os preparativos, o amigo espiritual expôs resumidamente a Marcone que o pequeno Carlos achava-se em processo de obsessão, infligido por alguns desafetos do passado, e que o caso solicitava o concurso de medidas extremas para tal dissipação. Marcone encorajado a esclarecer-se sobre o fato, afirmou ao espírito que era dirigente de um centro kardecista e que lá havia sessões de desobsessão, consultando-o sobre a possibilidade do drama de seu filho lá ser resolvido. O companheiro de Aruanda explicou-lhe que, devido ao atual estágio obsessivo de Carlos, a doutrinação dos desencarnados que o assediavam só surtiria efeito após a realização daquele trabalho.

Feitos os preparativos, a entidade atuante ordenou ao cambone que fizesse, na terra, um círculo que envolvesse Carlos e que colocasse, sobre seu traçado, material de grande fundamento dentro da Umbanda. Orientou os presentes para que guardassem distância e que orassem de olhos fechados. Estando todos a postos, a entidade que capitaneava o ritual ordenou ao cambone que "puxasse" uma curimba de atração e condensação de forças positivas, repetindo-a por três vezes. Depois foi cantado um ponto de ação repulsora, momento em que o amigo do astral superior acionou a ignição do material no círculo mágico depositado.

Grande deslocamento de ar ocorreu, ao mesmo tempo em que se expandiam partículas de alto poder de corrosão. Ato contínuo, Carlos, então em estado torpe, foi acometido de grande agitação, que durou segundos, voltando depois ao estado de inércia inicial. Imediatamente, o espírito que comandava os trabalhos ordenou aos guardiões auxiliares que imobilizassem os obsessores (eram dois), e os encaminhassem à detenção astral, até segunda ordem.

Marcone, assustado com o cenário que até então desconhecia, notou, com velada satisfação, que Carlos abrira os olhos com brilho há muito não visto. Levantando-se do chão ainda debilitado pelo vampirismo dos obsessores, perguntou ao pai que lugar era aquele e o que tinha acontecido. Aproximando-se da família, o espírito benfeitor expôs que o perigo passara e que, embora naquele local se efetuassem trabalhos de doutrinação, ele, Marcone, mediante ordens superiores, poderia ministrar o devido esclarecimento àqueles espíritos detidos, em sua casa espírita.

Visível felicidade cobria a face de Marcone e Leila, que observavam substancial melhora do filho. Distraindo-se em afagar Carlos, Marcone não percebeu que o espírito trabalhador já se afastara do médium. Não teve a oportunidade de agradecer e nem saber seu nome.

Perguntou ao dirigente daquele Núcleo Umbandista sobre quem era aquele espírito, no que foi respondido, em tom fraternal, o que importava naquele momento, era o bem-estar de Carlos.

Os dias correram e, com eles, a febre alta, a anemia e as convulsões. Carlos, o filho querido, já tinha vida normal e sequer demonstrava resíduos da patologia espiritual que o afligira. Marcone solicitou aos espíritos superiores que lhe dessem a oportunidade de receber em sua casa espírita aquelas entidades que outrora obsediavam seu filho. Foi atendido, fazendo valoroso trabalho de conscientização e regeneração junto aos ex-obsessores.

Durante uma sessão de estudos, em que todos os presentes se voltavam a esmiuçar as obras kardecistas, uma suave briza de fragrância agradável fez vibrar positivamente todo o ambiente. Marcone então teve suas atenções voltadas para um médium da mesa, cuja fisionomia denotava profunda mudança. O médium, agora incorporado por um espírito, saldou a todos, conclamando-os a seguirem os ensinos de Jesus.

O dirigente Marcone, sob forte emoção, identificou de pronto aquela entidade. Sabia agora que era a mesma que se manifestara pela primeira vez naquele recinto para ajudar Carlos, e que fora injustamente convidada a se retirar. Tinha consciência também que era o mesmo espírito que havia curado seu filho no Templo Umbandista.

Num incontido choro, aproximou-se daquele espírito pedindo perdão pelo preconceito e discriminação que o fizera passar.

A entidade espiritual Exu "A" envolveu Marcone em cristalinas ondas de luz, pedindo mais compreensão e menos radicalismo.

Proferiu, ao dirigente espírita palavras de conforto e entusiasmo para as atividades espirituais. O engenheiro Marcone, percebendo que a entidade espiritual já se despedia dos presentes, num gesto de humildade e simplicidade, virtudes que permeiam os grandes de coração, fraternalmente disse ao espírito do Bem:

"Obrigado, amigo Exu!" Um Exu de Lei e verdade...

(Autor Desconhecido)


- Do Portal Guardiões da Luz




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

A UMBANDA E O EVANGELHO DE JESUS

A Umbanda vivencia o Evangelho de Jesus em sua essência através da manifestação do amor e da caridade prestada pela orientação dos guias e protetores que recebem a irradiação dos Orixás. Encontramos no terreiro da verdadeira Umbanda entidades que trabalham com humildade, de forma serena, caritativa e gratuita; espíritos bondosos que não fazem distinção de raça, cor ou religião, e acolhem todos que buscam amparo e auxílio espiritual, conforto para dores, aflições e desequilíbrios das mais variadas ordens.

A Umbanda convida o homem a se transformar. Assim sendo, o consulente recebe esclarecimento sobre sua real condição de espírito imortal, ou seja, é levado a entender que é o único responsável pelas próprias escolhas, e que deve procurar progredir na escala evolutiva da vida, superando a si mesmo. Mas para transformar- se é preciso estar pronto para compreender as energias que serão manipuladas, porque elas trabalham com o ritmo interno. Ouvir a intuição é, portanto, ouvir a si próprio; é saber utilizar os recursos necessários que estão disponíveis para efetuar a mudança do estado de consciência.

Por isso, transformar significa reverter o apego em desapego, as faltas em fartura, a ingratidão e o ressentimento em perdão.. É não revidar o mal, mas sempre praticar o bem.

Dar sem esperar reconhecimento ou gratidão. A beleza da vida está justamente na “individualidade” , no ser único, criado por Deus para amar. E este ser único está ligado à coletividade pelos laços do coração e da evolução, a fim de aprender a compartilhar, respeitar, educar e ser feliz.

Somos o somatório dos nossos atos de ontem: por ter cometido inúmeros excessos, estamos conhecendo a escassez, ou melhor, sempre atuamos à margem, não conseguindo nos equilibrar no caminho reto, pois o processo de evolução é lento, não dá saltos, respeita o livre arbítrio, o grau de consciência e o merecimento de cada um.

A Umbanda pratica o Jesus consolador, e, silenciosamente, vai evangelizando pelo Brasil afora, levando Suas máximas: “A água mais límpida é a que corre no centro do rio, pois as margens sempre contêm impurezas”. “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o amanhã cuidará de si mesmo”, pois Ele nos envia o Seu amor incondicional, que não impõe condições, porque não julga, não cobra, apenas Se doa e espera pelo nosso despertar para as verdades espirituais, para o homem de bem que existe dentro de cada um de nós.

Quando Jesus se aproximou de João Batista, que, com os joelhos encobertos pela água do Rio Jordão, mais uma vez falava do Messias, ao olharem-se um ao outro, uma força poderosa instalou-se sobre todos os circunstantes. Jesus então aproximou-Se de João Batista, e este ajoelhou-se aos pés do cordeiro de Cristo. Mansamente Ele o levantou e agachou-Se sinalizando para que João O batizasse. Nesse instante único, vibraram intensamente sobre Jesus, no centro do seu chacra coronário, o Cristo Cósmico e todos os Orixás. Foi preciso que o Messias fosse “iniciado” por um mestre do amor na Terra, para que se completasse Sua união com o Pai, e ambos fossem um. Esse é um dos quadros históricos mais expressivos e simbólicos que avalizam os amacis na Umbanda.

Texto extraído do livro “Umbanda Pé no Chão – Um guia de estudos orientados pelo espírito Ramatís ( Editora Conhecimento) - recebido por e-mail enviado em 18/03/2009 por Mãe Vanessa Cabral - Dirigente do Templo Universalista Pena Branca (Filiada da T.U.Caboclo Pery)